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A Doutrina Espírita nos convida ao estudo; mas alerta-nos que sem Obras nunca seremos verdadeiramente ESPÍRITAS.

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

VIDA E VALORES (Poder oculto, talismãs, feitiçaria)


Você tem medo de Espíritos? Tem medo de feitiços, trabalhos feitos? Tem medo?

É muito difícil encontrar alguém que não tenha.

É comum encontrarmos pessoas que dizem não ter medo dessas coisas. Algumas dizem: Tenho muita fé em Deus, essas coisas não me pegam.

Mas, por via das dúvidas, elas estão sempre colocando seu galhinho de arruda atrás da orelha, seu dente de alho no bolso, seu trevo de quatro folhas. Estão sempre procurando um colar especial, uma guia, sal grosso, banhos, embora ninguém acredite nessas coisas, embora as pessoas afirmem que nada lhes pega porque têm fé em Deus. Mas, na dúvida...

É muito interessante pensar nessas questões porque, afinal de contas, há mitos, os mais interessantes, em torno da crença popular, na influenciação dos Espíritos sobre a vida das pessoas.

Como nós temos muito mais adaptabilidade para esse universo mítico, mitológico, é fácil acreditar nessas coisas que a razão não aceita, mas a crença admite com tranquilidade.

É muito comum encontrarmos pessoas que imaginam que, através de expedientes externos, elas resolvam questões íntimas, questões da alma.

Imaginemos alguém que resolva tomar um banho para descarregar as energias envenenadas que ela assimilou espiritualmente. Os banhos de ervas, de sais, etc, terão efeito sobre o corpo físico, poderão tratar-nos a pele, poderão ter até efeitos neurológicos, no nosso sistema nervoso, nos acalmando, nos aplacando, mas não sobre a alma.

Nenhum desses expedientes exteriores resolve questões do íntimo do ser. Logo, se os banhos funcionassem, nós banharíamos, nas penitenciárias, todos os criminosos com essas ervas, com essas essências, com esses sais e todos se transformariam, da noite para o dia, em pessoas nobres, de bem.

É verdade que existem essas crenças, mas não é verdade que isso funcione como as pessoas imaginam: banhos para mudar a sorte, chás para mudar a sorte, se a sorte é definida pelas nossas ações, os caminhos que trilharemos à frente dependem do caminho que estamos trilhando agora.

Há outras pessoas que resolvem acender uma vela de tal cor para o seu anjo guardião, que ela nunca viu, não sabe quem é, nem sua evolução. E, se o nosso anjo guardião estiver precisando de um pedaço de vela de cera, o que é que nós esperaremos de nós próprios, se aquele ser, que foi incumbido de nos conduzir através da existência é tão carente, é tão necessitado de velas de cera...

Estamos falando de luz espiritual e não de luzes materiais. A vela colorida fica bonito. Se for perfumada, perfuma o ambiente. Se ela for de cinco minutos, de um dia, de sete dias, de mês, nenhum problema, mas não podemos misturar essa mitologia com as realidades da alma.

Aqueles que têm medo de trabalhos feitos e usam roupa branca para se proteger, usam roupas de tal cor para se proteger - se não tiverem o contato com a mente e o controle dos seus pensamentos, se não tiverem cuidado com aquilo que pensam, com aquilo que elaboram no íntimo de si, poderão usar a roupa que quiserem, acender a vela como quiserem, usar a defumação que quiserem, porque isso não resolve.

Senão, seria muito fácil viver na Terra. Lançaríamos mão desses expedientes. O que resolve é não ter medo de talismãs, de feitiçarias, de pactos demoníacos e tratar de ter uma vida consentânea, correspondente ao bem que nós estamos esperando da vida.

É tão importante saber que o feitiço que, porventura tenha sido feito contra alguém, não terá nenhum poder sobre esse alguém, se esse alguém estiver trilhando uma estrada positiva.

Mas, não precisará que ninguém faça feitiço para a alma atormentada nos seus próprios vícios, para os indivíduos que são infelizes em si mesmos, que abriram bueiros infernais na própria alma.

Não há necessidade de nenhum trabalho de magia contra eles porque, por si mesmos, eles farão vinculações com as faixas mentais inferiores da vida. Eles entrarão na sintonia de Espíritos devassos, tremendos, e serão pessoas muito infelizes.

* * *

Todas as pessoas que tenham medo de trabalhos feitos, de bruxaria, ou que se apeguem a talismãs, a breviários que as libertem de determinadas energias, precisarão, antes, se dar conta do seu estilo de vida moral.

Como é que elas estão vivendo? Qual é a relação delas com as pessoas, com o mundo, com as Leis de Deus?

Não me valerá a pena me besuntar de substâncias, me encher de miçangas, de penduricalhos, se o meu mundo interior estiver desguarnecido.

É importantíssimo, para todos nós, saber definitivamente que não há nenhuma necessidade de ter medo de poderes ocultos ou de feitiçaria. Saber que nenhum talismã resolve os nossos problemas, que são da alma.

Quando olhamos um acidente da estrada ou um acidente aéreo, quantas daquelas pessoas carregavam amuletos, santinhos? Quantas tinham poderes ocultos ou se baseavam em poderes ocultos de outros, e não resolveu a questão do que elas tinham que sofrer?

A nossa vida interior é que determina a nossa vida exterior. O nosso modo de ser lá, dentro de nós, é que estabelece as diretrizes que vamos encontrar do lado de fora. É o nosso mundo íntimo que se reflete para o exterior.

Então, não há nenhuma necessidade de temer. Nosso maior talismã, o talismã divino, é o tempo. O tempo é que nos permite o processo da reeducação. O tempo é que nos faz desenvolver habilidades que hoje nos faltam. O tempo é que nos abre espaço para nos reconciliar com os nossos adversários. O tempo é que nos permite a boa formação, a construção do lar, da família, a boa execução do trabalho.

Então, se o talismã é alguma coisa milagreira, se o talismã é alguma coisa que nos redime ou que nos retira de situações difíceis, o tempo é esse talismã.

E saber usar corretamente o nosso tempo, saber usar devidamente o nosso tempo, é um gesto, é um ato, é uma postura de sabedoria.

A criatura que tem medo é uma criatura escravizada. O medo é capaz de nos coarctar, de nos amarrar, de nos ancilosar os movimentos da alma e, certamente, a pessoa medrosa será sempre uma pessoa incapaz, porque ela terá medo da escuridão, ela terá medo da sexta-feira treze, ela terá medo dos gatos pretos, ela terá medo de usar roupa preta, ela terá medos... Ela será uma pessoa cheia de medos. E uma criatura cheia de medos não consegue viver feliz na Terra.

Se tem um desarranjo orgânico, foi o olho mau de alguém, foi o olho grande de alguém, foi a inveja de terceiros. A criatura passa a viver imaginando que o mundo inteiro a inveja.

Em minha cidade, tive ensejo de ver um carrinho, desses puxados na rua pelas criaturas que catam papéis, que retiram sua sustentação do lixo. Era uma carrocinha de madeira e papelão mas, na frente da carrocinha, estava uma figa de guiné, muito usada para espantar os males. E porque eu conhecia o puxador da carroça, perguntei-lhe: E aí Juvenal, por que é que você está com essa figa?

E ele respondeu-me: Ah, professor, é para me livrar da inveja.

Fiquei me posicionando no lugar daquele homem. Como ele valorizava a pouca coisa que tinha e ainda supunha que alguém daquilo pudesse ter inveja.

Desse modo, vemos como o medo nos tira o discernimento. Muito dificilmente esperaríamos alguém que tivesse inveja de uma vida daquelas, de catador de papéis, de coletor de lixos, e que retirava do lixo a sua sobrevivência.

Pouca gente teria inveja, no entanto, Juvenal colocava a figa de guiné na sua carroça, imaginando que alguém o estivesse invejando.

É tão importante saber que, para sair da sintonia do mal, da sombra e eliminarmos de uma vez esses fetiches relacionados aos feitiços, basta que tenhamos uma vida digna.

Não é necessário que sejamos santos ou santas. Basta ter uma vida associada ao bem, mantermos sintonias com Jesus de Nazaré, através de todo bem que possamos fazer. Amar o nosso semelhante, buscarmos ampliar o nosso quadro de amizades, respeitar nossa família e, fundamentalmente, respeitar a nós mesmos, e não há feitiço que nos encontre, não há trabalho de magia que nos derrube. Porque se Jesus é por nós, vale o jargão popular, quem será contra?

Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 136, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná. Programa gravado em janeiro de 2008. Exibido pela NET, Canal 20, Curitiba, no dia 14.09.2008.



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