Nota

A Doutrina Espírita nos convida ao estudo; mas alerta-nos que sem Obras nunca seremos verdadeiramente ESPÍRITAS.

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terça-feira, 28 de outubro de 2014

FINALIDADE DO EXISTIR

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Você já se perguntou qual o significado de tudo o que vem vivendo?
Já parou, em algum momento, se questionando a respeito do porquê de toda a correria, dos desafios, das dificuldades e compromissos que a vida impõe?
Muitos de nós estabelecemos metas a serem alcançadas nesta existência.
Para alguns, é o diploma universitário. Após significativo esforço, vem essa conquista. Então, sucedem-se novos desafios, cursos, pós-graduação, mestrado, doutorado, diversos aprendizados.
Para outros, a meta é angariar bens terrenos: o carro do ano, último modelo, um terreno, a moradia, casa para veraneio, apartamento à beira-mar.
Das conquistas de pequena monta, natural que se sucedam outras de valores mais significativos e desafiadores.
Para pais e mães, a criação e educação dos filhos é meta permanente, que se sucede nos anos, até que eles ganhem autonomia e estabeleçam seu próprio caminhar.
Essas metas e conquistas para a vida são importantes, significativas e mesmo imprescindíveis.
Porém, será esse, efetivamente, o verdadeiro significado da vida?
Alcançadas as metas intelectuais, obtidos os bens materiais, cumpridas as obrigações com a criação dos filhos, qual o objetivo da existência?
Em reflexão mais profunda, vamos perceber que todas essas metas que nos propomos, ou que nos sejam impostas pelas circunstâncias, não constituem o grande objetivo da vida.
São apenas os meios de que ela se utiliza para seu grande intento.
Porém, se não nos damos conta disso, teremos a falsa impressão de que a vida perde seu sentido e lógica.
Sem reflexões profundas a respeito do sentido da existência, somos envolvidos pelas obrigações, pelos compromissos, sem percebermos que são apenas instrumentos de crescimento.
O objetivo maior da vida não é conquistar diploma, adquirir bens, criar filhos, pagar impostos, cumprir as obrigações sociais.
Viver é muito mais do que os fenômenos fisiológicos que percebemos. Viver é o grande laboratório para nossa alma.
Restringir a vida a um punhado de anos entre o berço e o túmulo, é limitar a grandiosidade de almas imortais que somos a uma mortalidade que não nos pertence.
Assim, é necessário que reflitamos sobre a grandeza de nossa essência espiritual, com a convicção de que somos Espíritos imortais.
Ao compreendermos a essência espiritual que somos, saberemos adotar as medidas adequadas para resolver nossas dificuldades diante da vida.
O que era fim por si só, passa a ser o meio para alcançar o verdadeiro fim.
E passamos a compreender que a grande finalidade da vida é a construção da felicidade, através de nosso progresso e da melhora íntima.
Jesus, Mestre Incomparável nos propõe: Buscai primeiro o reino dos céus e sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado.
E narra a parábola do homem rico que se dispõe ao gozo pleno, chamando-o louco, pois naquela mesma noite a morte lhe viria arrebatar a alma.
Que seria pois de suas riquezas?
A indagação nos cabe e nos serve. Pensemos nisso.

Redação do Momento Espírita. Em 23.10.2014.


Michel Pépé : Hommage à la Vie. Souvenez vous d'où vous venez....wmv

http://www.youtube.com/watch?v=vKTbgh4ZjZc

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O VENENO DA TRAIÇÃO

“Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com a que foi repudiada pelo marido, também comete adultério.” (Mateus 5:32)

A traição foi motivo de muitos escândalos em todas as épocas da humanidade, não somente a traição no campo do sentimento, mas nos negócios, nas amizades, nos ideais em todos os aspectos humanos. Trair, seja a confiança, um relacionamento, uma amizade, sempre deixa marcas profundas, sequelas difíceis de apagarem das lembranças; só nos ofendemos por aqueles a quem realmente amamos e que por uma ocasião tenha nos ferido.

O termo traição pode ser entendido como deslealdade, desapontamento da expectativa de alguém; é desvendar os segredos de outrem, entregar um amigo aos seus inimigos; distanciamento; é também decepcionar um amigo, além de ser contada como engano e infidelidade, perfídia, desonestidade. A traição é baseada na mentira. É um dos piores, senão o pior golpe que alguém pode receber de um amigo ou de uma pessoa que se considera ou que se ama.

Há personagens que simbolizam tal atitude, o traidor Joaquim Silvério dos Reis, que entregou Tiradentes, o Alferes mártir do movimento separatista da Inconfidência Mineira, aos seus julgadores e executores, os representantes da Coroa Portuguesa. Por razões políticas, Joana D'Arc foi traída por companheiros franceses. Aprisionada, foi acusada pelos ingleses de heresia e bruxaria, para depois ser condenada por um tribunal da Igreja e queimada viva em Ruão em 1431.

Antes da publicação do “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec é orientado pelo Espírito de Verdade. Ele diz no livro “Obras Póstumas” que: “a missão dos reformadores é cheia de escolhos e perigos; a tua é rude; previno-te, porque é ao mundo inteiro que se trata de agitar e de transformar. Não creias que te seja suficiente publicar um livro, dois livros, dez livros, e ficares tranquilamente em tua casa; não, é preciso te mostrares no conflito; contra ti se açularão terríveis ódios, implacáveis inimigos tramarão a tua perda; estarás exposto à calúnia, à traição, mesmo daqueles que te parecerão mais dedicados; as tuas melhores instruções serão impugnadas e desnaturadas; sucumbirás mais de uma vez ao peso da fadiga; em uma palavra, é uma luta quase constante que terás de sustentar com o sacrifício do teu repouso, da tua tranquilidade, da tua saúde e mesmo da tua vida, porque tu não viverás muito tempo”.

Allan Kardec então escreve uma nota, no dia 1° de janeiro de 1867, dizendo que: “Passados dez anos e meio depois que esta comunicação me foi dada, e verifico que ela se realizou em todos os pontos, porque experimentei todas as vicissitudes que nela me foram anunciadas. Tenho sido alvo do ódio de implacáveis inimigos, da injúria, da calúnia, da inveja e do ciúme; têm sido publicados contra mim infames libelos; as minhas melhores instruções têm sido desnaturadas; tenho sido traído por aqueles em quem depositara confiança, e pago com a ingratidão por aqueles a quem tinha prestado serviços. A Sociedade de Paris tem sido um contínuo foco de intrigas, urdidas por aqueles que se diziam a meu favor, e que, mostrando-se amáveis em minha presença, me detratavam na ausência. Disseram que aqueles que adotavam o meu partido eram assalariados por mim com o dinheiro que eu arrecadava do Espiritismo. Não mais tenho conhecido o repouso; mais de uma vez, sucumbi; sob o excesso do trabalho, tem-se-me alterado a saúde e comprometido a vida”.

O discípulo Judas Iscariotes entregou o Cristo aos seus inimigos, os sacerdotes hebreus, com um beijo em sua face, ele é preso pelos romanos. É considerado culpado de sacrilégio pelo sumo sacerdote e entregue ao aparelho judicial romano, na pessoa de Pôncio Pilatos. Jesus é condenado, como se fosse um vulgar criminoso, à morte na cruz.

No momento mais difícil da vida do Mestre, Pedro sequer admite que havia convivido com ele, negando por três vezes. Judas, por sua vez, aproveita-se da proximidade de Jesus para denunciá-lo de modo mais eficaz e seguro. Se analisarmos bem, ambos são traidores porque traíram o Mestre, suas atitudes até podem ser explicadas, Pedro estava com medo e inseguro, sentindo-se fragilizado e inútil diante da prisão de Jesus, Judas enganou-se completamente sobre a mensagem do Mestre e por sua ação pacífica e mansa, esperando mais um líder político e belicoso, como o rei Davi.

Pedro e Judas eram seguidores do Mestre, indivíduos que foram escolhidos por ele para ajudar na divulgação da Boa Nova, exemplificando através das ações altruístas e pela conduta reta divulgando a mensagem libertadora e transformadora do Cristo. Muito mais do que apóstolos eram seus amigos, sujeitos que compartilhavam na sua mais profunda intimidade.

Todos nós invariavelmente possuímos imperfeições e fraquezas humanas e temos que entender os erros dos outros, porque podemos passar pela mesma situação. Podemos errar pelos mais diversos motivos, o que torna compreensíveis os erros, mas isso não altera e nem justifica a realidade gerada por uma ação errada.

No entanto, aquele que comete este ato tão condenável que é traição, por si só, já se condenou, pois o sofrimento, o abandono, a discriminação e o escândalo do ato são, às vezes, muito piores, gerando uma prisão íntima que é alimentada pelo remorso e pela própria consciência. Quando não vem, a “dor moral” que custa muito a passar. Às vezes doendo muito mais em quem cometeu o ato, do que na própria vítima. O algoz pelo erro se condena e se julga por duas vezes, por si mesmo e pelo outro.

O arrependimento e a culpa frequentemente são tão dolorosos processos que martelam nossos pensamentos; pelo relato de Mateus, não foi Jesus quem sofreu, mas Pedro e Judas é que sentiram o forte impacto do erro que cometeram. Porque o Mestre sabia o peso da reação perante as duas consciências, Jesus lhes perdoou.

Contudo, é evidente a diferença no modo como os dois lidaram com o erro que cometeram e com o remorso e o sentimento de culpa que sentiram. Judas não aguentou a pressão e suicidou-se, já Pedro tornou-se um grande líder da comunidade cristã. Judas infelizmente não suportou a força do próprio erro e caiu nas malhas da autodestruição, enquanto Pedro foi capaz de superá-lo e ir adiante.

Judas simboliza uma maneira destrutiva e pessimista de encarar as próprias faltas e imperfeições, enquanto Pedro mostra um modo mais altruísta de reagir. A diferença entre os dois é que Judas não foi capaz de perdoar a si mesmo, de encontrar forças para ter esperança e coragem de seguir adiante, buscando no suicídio uma alternativa para fugir de suas falhas, gerando pelo ato mais dor e sofrimento.

O perdão é uma força libertadora e regeneradora, na medida em que nos dá uma oportunidade de tentarmos de novo e melhorar sempre. Rejeitar a si mesmo é negar a reabilitação íntima, é jogar fora a possibilidade de uma nova oportunidade de ser feliz e fazer diferente, é abandonar os sonhos, a esperança, é desperdiçar aquilo que temos de mais precioso: a vida que o criador nos deu, e isso já é, por si mesmo, uma punição estrondosa. Judas é um pouco de todos nós. Sua figura, por todo desespero e angústia que sofreu, não merece malhação, merece compaixão e compreensão.

São experiências dolorosas que nos pedem reconciliação com a nossa consciência e com aqueles que ferimos; nada pior do que lesar o outro no campo do sentimento; é uma das lições mais complexas de serem superadas, muitas vezes são décadas para se reconstruir um relacionamento rompido pelas marcas da traição, outras vezes são inúmeras reencarnações para se acertar os desatinos ocorridos no passado. A instituição chamada família sempre é o palco destes resgates, maridos e esposas, filhos e pais vão polindo as arestas e desfazendo as diferenças criadas em muitas existências pregressas.

As atitudes de uma pessoa estão diretamente ligadas à sua condição moral e evolutiva, a vida terrena gera as situações onde precisamos nos corrigir, surgindo de forma natural em consequência da nossa conduta, vítimas e algozes se encontrão e aí caberá a cada um lutar ou recair no mesmo erro.

A traição provém de vários fatores que levam para este ato: questões culturais, carências, insatisfação em relação a desejos e expectativas com o (a) parceiro (a), vingança, a busca pelo novo, o estímulo provocado pela sensação de perigo, ou mesmo de poder.

O ato de trair não precisa necessariamente consumar o ato sexual. Não compartilhar mais as regras de fidelidade com o parceiro já pode ser encarado como traição. Uma terceira pessoa presente nos pensamentos é uma traição. Cobiçar a mulher ou o homem alheio é uma forma de adultério, como nos orienta Mateus “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Como tratou Jesus a mulher adúltera?” (5:27-28).

Todo pensamento, palavra e ação que tomamos têm na sua consequência uma direção psíquica voltada para nós mesmos, porque todo pensamento é vida, com isso, tudo aquilo que projetamos retorna à sua origem, iniciando um tipo de comportamento condizente com aquilo que pensamos. Devemos ser responsáveis pelos nossos pensamentos e entender que podemos contribuir com os nossos mais íntimos desejos com a infelicidade ou a felicidade do outro.

Tudo começa no pensamento, Jesus fala da força do pensamento, considerando-o como algo concreto e real. Entendemos que tudo o que sai da mente como pensamento, sentimento, palavra e finalização da ação, retorna na mesma intensidade, pois projetamos os nossos desejos, sonhos e toda vontade, direcionando nossa fé, crenças e os nossos verdadeiros tesouros. Fé não é apenas algo relacionado ao divino, fé é tudo aquilo que você acredita, seja por temor ou amor.
EDUARDO AUGUSTO LOURENÇO
eduardoalourenco@hotmail.com
Americana, São Paulo (Brasil)


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

O NEVOEIRO DA INCREDULIDADE



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A primeira mulher a atravessar a nado o Canal da Mancha foi uma jovem de vinte anos de idade. Seu nome era Gertrude Ederle e esse fato se deu no dia 6 de agosto de 1926.
Depois dela, uma outra mulher, de trinta e quatro anos, Florence Chadwick, tornou-se a primeira mulher a atravessar o Canal da Mancha, nos dois sentidos.
Mas, em 1952, essa mesma mulher decidiu atravessar a nado os trinta e três quilômetros, entre a Ilha de Catalina e Long Beach, na Califórnia.
O dia 4 de julho, escolhido para a proeza, não estava propício. A manhã estava muito fria e havia um nevoeiro intenso.
Ela se preparou e mergulhou na água. Contudo, mal conseguia ver os barcos que a acompanhavam. O nevoeiro era denso.
O frio e o cansaço não conseguiam fazê-la desistir. Ela podia ouvir as vozes de incentivo do treinador.
Contudo, as forças a foram abandonando. Ela continuou nadando. Era a sua determinação a lhe ordenar que prosseguisse.
Mas, um pouco antes de chegar à praia, ela pediu para ser recolhida a bordo. De nada valeram as rogativas de sua mãe e de seu treinador.
Não posso mais! Não aguento mais! Dizia ela.
Minutos depois, ela descobriu que restavam apenas oitocentos metros para chegar à praia.
Ante a desolação dos que lhe seguiam os esforços de perto, incentivando-a, falou: Não estou dando desculpas, mas se eu tivesse conseguido ver a praia, poderia ter chegado até lá.
Florence Chadwick foi vencida não pelo frio, nem pelo cansaço. Foi derrotada pelo nevoeiro.
Com os homens, ocorre de forma semelhante. O nevoeiro da incredulidade interfere em muitos caminhos.
Quando o incrédulo se vê a braços com dores profundas, permite-se a desesperança.
Quando a morte lhe vem arrebatar um ser querido para o conduzir ao reino dos Espíritos, ele se desespera. Desiste de viver.
Acredita-se sem forças e não consegue vislumbrar uma réstia de esperança. Tudo lhe parece envolto em brumas.
Por não crer que a vida prossegue para além da área física, mais se desalenta.
Se as dificuldades financeiras se avolumam, o emprego corre riscos e o chefe se mostra irritadiço, ele se angustia.
Tudo lhe parece intransponível, uma carga excessivamente pesada.
Em tal clima, alguns chegam à depressão e até ao suicídio.
E, no entanto, a anotação evangélica estabelece que tudo é possível àquele que crê.
*   *   *
A fé clareia as noites mais sombrias. Nas paisagens do inverno rigoroso é ela que nos permite antever a primavera, cobrindo de flores os jardins.
Por isso, se o nevoeiro da incredulidade estiver a insistir na paisagem dos seus dias, busque estudar e meditar acerca daquilo que hoje você afirma não crer.
Permita-se iluminar pelo sol que dissipa as nuvens e espanca as trevas. O sol chamado reflexão.

Redação do Momento Espírita, com base no artigo Determinado a vencer,  do Jornal Viva feliz, e no verbete Fé, do livro Dicionário da alma, por Espíritos diversos, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. FEB. Em 22.10.2014.

Stephen Sicard - Presences

http://www.youtube.com/watch?v=THjq9Y15hCM

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

INFIDELIDADE


Quando o homem e a mulher decidem casar-se, assumem o compromisso de cultivar a fidelidade por toda a vida, mas muitos não o cumprem. Este número é bem maior entre os homens do que entre as mulheres. Na atualidade, o percentual de homens infiéis é bem maior do que o dos fiéis.

Em muitos casos, a infidelidade não traz maiores problemas, mas, em alguns, provoca situações verdadeiramente dramáticas, não só em relação à mulher, como também ao homem, com repercussões para o resto da vida.

A vítima da infidelidade, seja homem ou mulher, fica seriamente lesada em sua sensibilidade.

Algumas se desestruturam totalmente, outras entram em depressão profunda ou se desequilibram completamente, necessitando de tempo mais ou menos longo para readquirir o equilíbrio. E o causador contrai um débito perante a justiça divina.

As conseqüências do ato infeliz, muitas vezes, se estendem às existências futuras, porquanto não se rompe impunemente um compromisso afetivo.

Por mais que tente, o infiel não consegue evitar mudanças no relacionamento conjugal, em virtude de sentir a consciência culpada. Como pode um homem que teve relacionamento íntimo com uma amante ser terno com a esposa, como se lhe fosse totalmente fiel? Da mesma forma, como pode a mulher ser carinhosa com o marido, após ferir a própria consciência num ato de infidelidade?

O infiel lesa moralmente o cônjuge e a si próprio. Nesta época em que vivemos, não é somente por questões psicológicas, espirituais ou morais que se deve conservar a fidelidade, mas também por razões de saúde, porquanto há várias doenças transmitidas sexualmente que a comprometem. Entre elas, a mais grave é a AIDS, para a qual ainda não existe tratamento eficiente.

Quais são as causas da infidelidade?

São bastante variadas e dependem da formação moral da pessoa e de determinadas circunstâncias.

O homem, que tem uma formação moral deficiente e com forte tendência para a infidelidade, costuma romper com os compromissos matrimoniais logo nos primeiros anos de vida conjugal. A educação deficitária, sob o ponto de vista cristão, lhe permite considerar como natural a experiência extraconjugal para o homem. É o pensamento marcadamente machista que predominou até recentemente. De acordo com esta concepção, o homem tinha o direito de ser infiel, mas a mulher não podia sequer pensar nisto.

Não são, entretanto, apenas estes tipos de homem que estão sujeitos à infidelidade. Também os que têm uma melhor formação, porquanto são muitas as oportunidades no mundo moderno. Só os que têm princípios muito bem consolidados resistem a tais arrastamentos.

Contribuem para este tipo de deslize as crises na vida conjugal, as brigas constantes, a indiferença, etc. esta situação leva os cônjuges a se sentirem infelizes, o que cria condições para o rompimento dos compromissos conjugais. Encontrando, então, uma pessoa que lhe dê atenção e carinho, o homem corre o risco de ceder, de se envolver afetivamente. Também a mulher está sujeita a seguir o mesmo caminho, se a vida a dois não vai bem. Em nossa sociedade, porém, ela resiste por mais tempo e é mais reservada. Ela se expõe menos. A maioria das mulheres tende a se resignar e rejeita sistematicamente a idéia de se tornar infiel. Prefere sacrificar-se e conservar os seus princípios. Muitas, porém, encontrando um homem mais atencioso, que lhes dê carinho, acabam cedendo.

Uma parcela significativa dos homens se tornam infiel depois que os filhos já estão criados. Para isto contribui não só a redução das preocupações com eles, como também a diminuição dos encantos da mulher, no aspecto físico. Isto para os homens que valorizam quase que exclusivamente a aparência da mulher, esquecendo-se de suas qualidades intelectuais e morais. Com a mulher costuma ocorrer diferente.

Ela valoriza mais as qualidades do homem que os seus dotes físicos.


Concorre também para criar as condições favoráveis para a infidelidade a convivência com outra pessoa, de forma mais íntima, seja no trabalho ou em outras atividades, inclusive as de natureza religiosa.

Há muitos casos de religiosos que se envolveram afetivamente desta forma. De modo geral, quando descobrem, já estão comprometidos emocionalmente, necessitando de uma potente força de vontade para se desvincularem. O sentimento vai crescendo sorrateiramente, sem que o percebam. Isto não constitui motivo para que um homem e uma mulher não convivam no trabalho ou na atividade espiritual, porquanto existe uma medida eficaz para evitar que isto aconteça: é não permitir o relacionamento exclusivista e universalizar o sentimento; é um encarar o outro como companheiro de trabalho ou de atividade religiosa.

Um aspecto do problema que não pode ser esquecido é o do conquistador ou conquistadora, que procuram identificar a carência do outro e atacam por este ponto. O dom-juan usa esta tática. Ele procura envolver a mulher que deseja conquistar pelo seu ponto fraco. Se percebe que ela é carente de atenção, procura se tornar extremamente atencioso. Se descobre que é carente de carinho, envolve-a com este tipo de afeto até conquistá-la.

Não podemos deixar de citar também a influenciação dos encarnados por espíritos obsessores, que procuram incentivar o envolvimento emocional das pessoas, muitas vezes com o objetivo de desarticular os seus lares, ou de um deles.

Vida Conjugal – Umberto Ferreira


Observação de Divaldo Franco: "O adultério é coabitar (viver) com alguém e aventurar-se simultaneamente (ao mesmo tempo) com outrem. Não nos parece legal nem moral esse comportamento."

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

CONQUISTAS ÍNTIMAS


A história da Humanidade confunde-se com a de guerreiros, conquistadores, revolucionários.
Sempre os tivemos. Alguns lutando por seus ideais e sonhos. Outros, apenas movidos pela ganância e sede de poder.
Todos buscando amealhar tesouros, terras, títulos e coroas.
Lançavam-se nas mais intensas lutas para alcançar as coisas do mundo.
Tornavam-se poderosos, grandes mandatários, mas logo o tempo se encarregava de transformar tudo em ruínas.
Se alguns ainda mantêm seus nomes grafados na História, por esse ou aquele episódio, ou ainda, lembrados pelas barbáries e disparates cometidos, a grande maioria ganhou apenas o esquecimento como herança.
Imaginavam-se grandes, não percebendo a pequenez de seu propósito.
Como resultado, seus feitos não ultrapassaram a esteira do tempo.
Assim como eles, muitas vezes nós empenhamos tempo, anos de vida, capacidades, energia, para ganhar o que é do mundo material.
Buscamos amealhar bens, galgar posições sociais, cargos e destaque profissional.
Porém, todos esses valores, em si só, apresentam prazo de validade.
Como as coisas do mundo são transitórias, efêmeras, toda conquista material tem seu limite.
Por outro lado, poucas vezes nos damos conta de que, ao contrário das conquistas que se esvaziam no tempo, existem outras que são eternas e permanentes.
Essas conquistas são as do nosso mundo interior.
Toda aquisição intelectual e moral ganhará espaço em nossa intimidade, e as carregaremos para onde formos.
Vencerão o andar do tempo, o processo da morte física, ou qualquer ocorrência externa que surja.
É verdade que, durante a vida física, precisamos buscar as coisas do mundo.
Existem os compromissos financeiros, as preocupações com moradia, transporte, alimentação, instrução.
Porém, quanto de nosso tempo e de nossas capacidades usamos para as conquistas da Terra e quanto para as conquistas íntimas?
É necessário percebermos que, logo mais, quando a morte nos convidar para o retorno ao mundo espiritual, levaremos apenas os valores que conseguirmos carregar na mente e no coração.
São as conquistas do mundo íntimo. As demais, ficarão no mundo: vestimentas, mansões, propriedades de toda sorte, recursos amoedados.
Viver no mundo não representa investir todos os valores, tempo e esforço para o que seja material.
Faz-se necessário que nossos esforços se direcionem, também, para as conquistas da alma.
Todo esforço que investimos para angariar valores morais, novas virtudes, constituirá conquista interna, que levaremos conosco no retorno à vida espiritual e em todas as próximas existências.
Se o mundo externo se mostra algumas vezes sedutor nas suas possibilidades, não esqueçamos que o mundo interno tem riquezas inúmeras para nos oferecer.
Se o mundo externo têm suas obrigações e compromissos, o mundo interno aguarda que encetemos esforços para acumular os tesouros, aqueles que a ferrugem não corrói, as traças não comem e os ladrões não levam, como nos lembra Jesus.
Redação do Momento Espírita. Em 10.10.2014.

Michel Pépé : La Clairière Féerique
https://www.youtube.com/watch?v=7V_52L8excc

A RELAÇÃO CONJUGAL SAUDÁVEL NOS TEMPOS ATUAIS - Alirio de Cerqueira Filho

Seminário promovido pela Federação Espírita da Flórida nos dias 3 e 4 de Março de 2012! Tema principal: Família e Educação em uma Sociedade em Transição.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

CURA VERDADEIRA


Todas as criaturas humanas adoecem. Raras são aquelas que trabalham para a cura real.
A ação medicamentosa, por si só, não restaura integralmente a saúde.
O comprimido ajuda. A injeção melhora. Entretanto, não podemos esquecer que os verdadeiros males procedem do coração.
A mente é uma fonte criadora e a vida plasma, em nós mesmos, aquilo que desejamos.
Assim, a medicação não nos valerá muito se prosseguirmos tristes e acabrunhados, porque a tristeza é geratriz e mantenedora de muitos males.
Como poderemos pretender ter a saúde restaurada, se nos permitimos a cólera ou o desânimo por muitas horas?
O desalento é anestésico que entorpece e acaba por destruir quem o cultiva.
A ociosidade que corrompe as horas e a inutilidade que desperdiça o tempo valioso extingue as forças físicas e as do Espírito.
Mesmo porque, a mente ociosa acaba por se dedicar a muitas coisas ruins, como a maledicência e a crítica destrutiva.
Se não sabemos calar, nem desculpar; se não ajudamos, nem compreendemos, como encontrar harmonia íntima?
Por mais que o socorro espiritual venha em nosso favor, devoramos as próprias energias com atitudes negativas.
E, com respeito ao socorro médico, mal surgem as primeiras melhoras, abandonamos o remédio, a dieta, os cuidados, demonstrando a nossa indisciplina.
Por isso, se estamos doentes, antes de qualquer medicação, aprendamos a orar e a entender, a auxiliar e a preparar o coração para a grande mudança.
Fujamos da indelicadeza e do azedume constante que nos conduzirão à brutalidade no trato com os demais.
Enriqueçamos nossos fatores de simpatia pessoal, pela prática do amor fraterno.
Busquemos intimidade com a sabedoria, pelo estudo e a meditação.
Não manchemos nosso caminho. Sirvamos sempre. Trabalhemos na extensão do bem a todos.
Guardemos lealdade ao Mestre Jesus a quem dizemos seguir e permaneçamos com a certeza de que, cultivando a prece, vibrando positivamente pela vida, abraçando a oração diária, desde logo, a medicação de que nos servirmos atuará rápida e beneficamente em nosso corpo.
*   *   *
Que queres que eu te faça? Perguntou Jesus ao cego de Jericó, que O buscava.
Que me devolvas a visão, respondeu Ele.
Acreditas firmemente que eu possa te curar? Retornou o Mestre a indagar.
E como a resposta fosse afirmativa, o cego passou a enxergar.
No fato em destaque, observamos que a vontade do paciente e a fé no profeta de Nazaré, foram as molas da cura.
Portanto, a cura real somente nos alcançará se melhorarmos as nossas disposições íntimas e atendermos aos preceitos médicos com disciplina e seriedade.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 86 do livro Fonte viva, pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb. Em 19.3.2013.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

REPARANDO DÉBITOS


Existe erro irreparável? Será que acontecem tropeços na vida que jamais poderemos ressarcir?
Quando nos damos conta de alguma atitude errada, de uma ação desmedida, é natural que busquemos reparar o erro.
Quando nos conscientizamos do engano, a consciência, por processo natural, nos pede para ressarcirmos perante a vida, o que dela, de uma ou de outra forma, extorquimos.
Então nos armamos de coragem, humildade e entendimento, para buscar os meios de corrigir o erro.
Porém, é verdade que não raras são as situações onde essa reparação não se mostra tão simples ou corriqueira.
Alguns equívocos se alastram por toda a existência, sem oportunidade ou, por vezes, coragem de serem reparados.
São aqueles de difícil solução, envolvendo circunstâncias que nos fogem ao controle.
Assim, se pensamos em uma única existência, a resposta para a primeira pergunta será, inevitavelmente, Sim: existem erros irreparáveis.
Seja por dificuldades pessoais ou circunstâncias que se imponham, haverá situações que não permitirão reparação, nesta vida.
Basta que recordemos quantas pessoas concluem a sua jornada na Terra sem terem conseguido perdoar o próximo, ou sem terem tido a oportunidade de pedir perdão.
No entanto, lemos nos Evangelhos que Jesus afirmou que ninguém deixará a Terra sem antes pagar até o último ceitil, ou seja, a última moeda.
Se assim assevera o Mestre, como explicar essas situações onde a morte nos alcança antes de nos reabilitarmos?
Como pagar todas essas dívidas?
A orientação de Jesus, nos ensinando que pagaremos tudo antes de deixar a Terra, mostra a bondade de Deus, e o alcance da Providência Divina.
Mostra-nos o Mestre que, mesmo que nesta existência não tenhamos a oportunidade de restabelecer a paz de consciência, outras se apresentarão.
Esta vida poderá se esgotar, mas outras virão.
Outras vidas, outras oportunidades em que poderemos reencontrar os desafetos, para nos perdoarmos mutuamente.
Voltarmos a conviver com aqueles a quem magoamos, ferimos, de muitas e diversas formas, para nos ajustarmos, agindo de forma oposta.
Isso explica algumas situações difíceis, no seio familiar. São os desafetos de outros tempos a nos convidar para refazermos laços de amizade, de compreensão.
Não renascemos para cobranças, mas para reformularmos nossa maneira de ser, onde os sentimentos de perdão, tolerância, doação se devem fazer presentes.
Por isso, tudo o que nos ocorre são as respostas do ontem que nos chegam, dando-nos a chance de pagar as moedas da dívida contraída outrora.
E tudo acontece sob a chancela da Divindade. Nenhuma injustiça, nenhum fato sem um bom e justo motivo. Exatamente como ensinou o Mestre Jesus: A cada um segundo as suas obras.
Cada um colhe o que semeou, em estação recente ou há muito tempo. Flores para quem lançou as sementes do bem, cardos e espinhos para quem somente provocou dores e sofrimentos em alheias vidas.
Pensemos nisso e, se não podemos modificar a semeadura do ontem, tenhamos a certeza de que somos os detentores de todo o poder para a melhor escolha da lavoura, nestes dias. 
Redação do Momento Espírita. Em 4.10.2014.

Michel Pépé - L'eau De Cristal‏
https://www.youtube.com/watch?v=WeRE9FSQDYE

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

COMUNICANDO O AMOR AOS NOSSOS FILHOS


Você ama seus filhos, certo? Mas será que eles se sentem amados por você?
Você ama seus filhos, mas será que da melhor forma que há de se amar?
Saber comunicar o amor e aprimorar nossa forma de amá-los é fundamental para se construir uma relação saudável e ainda, para desenvolver nas crianças uma boa autoestima e autonomia.
Esta comunicação pode se dar, inclusive, sem palavras.
Vejamos um exemplo:
A mãe “a” centraliza sua atenção em Pedro, e não na tarefa que está executando.
Por exemplo, quando lhe dá banho, os músculos dela estão relaxados e sua atitude é brincalhona e suave. Há uma luz doce em seus olhos.
Ela examina os pés gordinhos e enrugados, delicia-se com as suas reações ao pingar água sobre sua barriga.
Quando Pedro balbucia, ela responde.
Se ele espalha água com as mãos, vê a mãe reagir com uma risada e participar da sua brincadeira.
Não há palavras, mas os dois estão se comunicando.
Pedro sente e vê a receptividade dela. Não sabe que ele é um ser à parte, mas tem as primeiras noções de que é valorizado.
A mãe “b” aproveita a hora da amamentação para ler.
Seus braços o sustentam frouxa e indiferentemente.
A atenção não se volta para o menino, mas para o livro.
Se Pedro balbucia, ela não toma conhecimento. Quando ele se movimenta, os braços da mãe não colaboram.
Se agarra a blusa dela, a mãe o faz soltar sem sequer olhar para ele.
Pedro e a mãe não estão partilhando uma experiência.
Na verdade, não há um encontro terno, humano, direto de pessoa para pessoa.
A mãe é todo o mundo de Pedro naquele momento e suas primeiras experiências lhe ensinam que não merece atenção.
Para ele, o mundo é um lugar muito frio no qual tem pouca importância.
Podemos ver que Pedro teria uma série de impressões muito diferentes a respeito de si próprio, com a mãe “b” e com a mãe “a”.
Se perguntássemos às duas, muito possivelmente ambas diriam que amam Pedro. Porém, qual delas estaria comunicando melhor esse amor? Qual delas estaria aproveitando melhor as potencialidades desse sentimento excelso?
Da mesma forma, a superproteção, que pode ser lida como uma grande expressão de cuidado, de carinho, passa a mensagem ao filho de que ele não é competente. E não de que ele é muito amado.
A superproteção reduz o autorespeito, reduz a capacidade das crianças desenvolverem sua autonomia.
São alguns pequenos exemplos de como podemos não apenas amar mais, mas também amar melhor, amar com sabedoria.
Não deixaremos de lhes dizer sempre, é claro, como são amados, como são importantes para nós. Na construção de sua autoestima, esta certeza é fundamental.
Porém, nossos gestos, nossas mensagens sem palavras, precisam acompanhar nossa fala.
*   *   *
Procuremos como pai, como mãe, como tutor, aprimorar-nos sempre nesta tarefa.
Ninguém nasce sabendo ser pai e mãe exemplar.
Busquemos nas leituras, nos estudos, nas técnicas também, o auxílio que necessitamos para que possamos amar melhor.
Que possamos levar a educação de nossos filhos a sério, como uma profissão: dedicando-nos a ela de corpo e alma.
Redação do Momento Espírita com base em trecho da obra Autoestima de seu filho, de Dorothy Corkille, pt. 1, cap. 2, ed. Martins Fontes. Em 30.9.2014.


Michel Pépé - La Purete du Coeur (Relaxing, soothing music)

http://www.youtube.com/watch?v=ez9Ah5R3q1c 
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